25 de nov. de 2011

Janela aberta.


imagem: weheartit


Café frio, coração vazio.


Eu vou me sentir bem. Sem você, só a bebida amarga que adoça a minha frieza. Gélida saudade do que você poderia ser. Do que, como essa fumaça, voa para bem longe. Mas deixa o aroma da solidão nos meus cabelos. Sozinhos, sentindo a falta do carinho que nunca receberam. Das mãos que sempre foram frias, como o líquido negro desta xícara que seguro em minhas mãos trêmulas.

...

Inconstância exteriorizada.


by Rachel Nunes*




                                                              

6 de nov. de 2011

Tudo bem

imagem: weheartit


Nuvem no céu é temporária.
Às vezes não parece,
Mas o sol sempre aparece.

É que nos acostumamos com o "blackout" dos sentimentos felizes.
Mas o claro sempre está disponível
Para meros olhares mortais.

Sempre está lá.
Longe,
Do seu lado, 
Dentro.

No âmago ou amargo da verdade, 
Na neblina que esconde o mal,
O painel no teto estampa o branco
Da paz, recomeço ou vírgula.


by Rachel Nunes


23 de out. de 2011

Lumus!

  imagem: weheartit


Engula a luz.
Deixe-a clarear o interior.
Ilumine-se para que todos o sejam.

Uma vida na sombra equivale à morte.
Quem quer viver, não pode permanecer na cadeira da indiferença.




Não pode, não deve, não vai anoitecer.
Não se a luz estiver do lado de dentro.


by Rachel Nunes*

6 de out. de 2011

Pétalas cósmicas

imagem: weheartit


Seu sorriso ilumina,
Sol vindo do oeste.
Eu não sei o que há no país dos seus pensamentos.
Mas conheço bem a chegada das borboletas.

Que já vieram.
Já faz um tempo
Que ele não faz mais sentido.

Chuva constante
De estrelas cadentes no meu universo.

Ofuscando a claridade que conservo,
Jogando flores no ar
E guardando seu olhar
Em algum espaço lunar.


by Rachel Nunes*

29 de set. de 2011

Um colírio para a mente

   Às vezes desejo esquecer-te. Às vezes desejo. Mas quanto mais descarto, mais fixa na mente. E fortifica. Constrói, aos poucos, um forte indestrutível. Um abrigo para o sonho medroso. A vontade desmedida de ser correspondida.
   
         Queria que o sol acordasse. Não a mim, mas a ele mesmo. Afastasse de si o receio. A preguiça indesejada de doar luz. Chacoalhasse as trevas que circundam o belo. Que desentortasse as curvas, formando uma linha reta que não leve ao esquecimento.

     - O que quero afastar já faz parte de mim. Não consigo mais. É como corte profundo cuja cicatrização independe da minha vontade... Mas depois desaparece. E pode ser que, infelizmente, você também vá.
       - Mas não é isso o que tu querias?
       - Não. É o que eu achava que desejava.                                                    


by Rachel Nunes*


Imagem: weheartit

18 de set. de 2011

Cadê o laço?

imagem: weheartit
      O café posto à mesa como numa refeição de natal. Mas não se trata de uma celebração. É só o nó. O aperto, sabe? E o café puro cura.
      Esquisito isso, não é? Mas é exatamente assim. Você não leu errado. E olhe que eu nem gosto muito da tal bebida. Ah, sei lá... Às vezes ela é segurança. Um "certo" nessa vida. Um amargo que conheço bem. Não o sabor aromático, mas o aroma do sabor "amorífico".    
      Não faz mal se não entender essa frase. É só uma sentença. Uma das que tento esquecer por enquanto. Até ter coragem para recusar o esquecer.


by Rachel Nunes*

                       

12 de set. de 2011

A volta no ar.

Cor pálida,
Som de terra,
ar de crisálida.

Ela desabrocha
Sem perceber o perfume inédito.

São com flores que ela enxuga as lágrimas.

Porque para curar ferida interna
Só mesmo o amor.
O que machuca e sara.

 O punhal no peito,
O tiro na água,
O sapato furado no teto.


by Rachel Nunes*



imagem: weheartit