24 de jan de 2013

O peso de quem voa

imagem: weheartit


Lá estava:
Pisando em espinhos,
Pintando flores
(Sem cor)
Amassando papéis de carta,
Enviando ar por baixo da porta,
Em sonhos, fabricando chaves,
Nos olhos, destacando verdades.

O que será desta mulher que não desiste?
Haverá ela de ver o que não há,
Só para mandar
E tentar
Ser, talvez, quem sabe,
Sendo doce,
A metade de um limão?

Terá que padecer
Para ser,
Além de viver,
Uma gota do rio
Ou a magia de um assobio?

Terá que esperar
O sangue coagular
Na mente sofrida
Estancar tudo o que restar
Até que o remédio chegue
Numa embalagem descartável
Enviada por caridade?

Acaso este é o destino da luta:
Buscar até o fim,
Perseguir com olhos abertos,
Mão atadas e coração partido?

Acaso os espinhos não poderiam ser macios
E a vida menos dura?
Quanto tempo dura,
Quando virá a cura
Para continuar buscando
Enquanto sorri sangrando
E corre atrás dançando?

Este, o medo de quem reprime,
A fonte de alegria dos que gritam,
É a fraqueza de quem bate.
A mão que açoita ao dia
É a mesma que enxuga as próprias lágrimas à noite;
Pela ausência de motivos que a vida encontra,
Pela inveja do brilho no semblante de quem muda
E evolui;
De quem chora, porque o respeito é nulo
Mas ri, porque a esperança é muita.
De quem tem fome

E  grita.

Mas não se desespera,
Porque o que é bom vem com luta,
O que não serve,
Vem com defeito
Ou sem busca.


(Rachel Nunes)

14 de jan de 2013

Por um fio



Perdendo...
O ar, por uma fumaça pura.
A calma, por uma agonia que cura.


Ansiando...
Por uma sombra,
Por um frio,
Por um sol que nasça,
Por uma fala.

Ganhando...
A corrida, por uma légua a mais.
A batalha, por um grito a menos.
A paz, por uma luta justa.
A salvação, por uma causa perdida.

Entregando...
O cansaço, por uma recompensa.
A tristeza, por um sorriso.
O equilíbrio, por um fio.


(Rachel Nunes)



imagem: weheartit